Pular para o conteúdo

Artigo ·

Quanto o cargo do seu falecido paga hoje na ativa: como consultar sem custo

Por , advogado: OAB/RJ 198.335

Ilustração do tema: Defasagem

Você desconfia que a pensão do seu marido, do seu pai ou da sua mãe ficou pequena demais, mas não tem com o que comparar? Existe um começo de conta bem simples: quanto o cargo do servidor falecido paga hoje, para quem está na ativa. E dá para ver isso pela internet, sem custo, sem cadastro e sem sair de casa: a folha de pagamento do Estado é pública.

Este guia mostra, passo a passo, como fazer essa consulta no portal oficial do Estado do Rio, como ler o resultado sem se enganar e o que ele significa (e o que não significa) para a sua pensão. Antes de começar, o lembrete de sempre: a consulta não custa nada, nenhum funcionário liga pedindo senha, e conferir não altera o pagamento atual.

Um sinal para saber se vale conferir, não um cálculo jurídico

Esta consulta é um atalho para você decidir se vale a pena investigar: não é o número oficial que corrige a sua pensão. Esse número oficial é o DAP (Documento de Atualização de Pensão), que o próprio órgão de origem emite, feito sob medida para o nível e a classe daquele servidor. A consulta pública apenas mostra quanto o Estado paga hoje, na ativa, para quem ocupa o mesmo cargo que o servidor falecido. Se esse valor for muito maior do que a sua pensão paga, é um bom motivo para conferir com calma. Se for parecido, provavelmente não há defasagem grande a perseguir.

Por que a consulta não crava a diferença? Porque a remuneração da ativa pode incluir gratificações, adicionais e vantagens pessoais que não se transmitem à pensão; e a pensão pode ter redutores ou teto. A régua que serve para verificar se cabe correção (e em quanto) é o DAP. O número da consulta apenas indica se essa diferença pode existir. Para entender a régua completa, veja onde pedir o DAP e o que é a paridade.

O que a consulta pública responde é "vale a pena conferir?". Quem responde "quanto é a diferença" é o DAP.

Passo a passo da consulta pública

O serviço se chama Consulta de Remuneração e fica no portal do Estado. Funciona no computador e no navegador do celular, sem instalar nada e sem login.

1) Abra o navegador e digite o endereço www.rj.gov.br/remuneracao. 2) Nos filtros, escolha o Ano e o Mês (os únicos campos obrigatórios): comece pelo mês mais recente. 3) Em Situação, deixe marcado Ativos: é essa gente que serve de comparação. 4) No campo Órgão, escolha o órgão onde o falecido trabalhava (por exemplo, Polícia Militar, Polícia Civil, Fazenda, Educação ou Saúde); se souber o nome exato do cargo, escolha também em Cargo. 5) Clique em Aplicar Filtros. Vai aparecer a lista de servidores daquele cargo hoje.

Um detalhe que evita confusão: a busca é pelo cargo, entre servidores ativos: não pelo nome do falecido, que não está mais na folha da ativa. O objetivo é ver quanto o cargo dele paga a quem o ocupa hoje. Se algum rótulo na tela estiver um pouco diferente do que descrevi, siga pelo sentido: escolher o mês, escolher o órgão e mandar aplicar.

Como ler o resultado sem se enganar

A lista traz uma coluna chamada Remuneração Líquida, e esse valor já vem com os descontos de cada pessoa (imposto de renda, faltas, pensão alimentícia, mês trabalhado pela metade). Por isso, dois servidores do mesmo cargo podem aparecer com valores bem diferentes. Não tire conclusão de uma linha só: olhe várias pessoas do mesmo cargo e repare no padrão, não no caso isolado.

Se quiser entender cada coluna, o próprio portal tem um botão Dicionário que explica os termos, e dá para baixar a lista em CSV ou PDF pelos botões no alto da página. Ainda assim, guarde a régua: parte dessas vantagens pode não entrar na pensão, e o cálculo definitivo é o do DAP. Se o padrão do cargo hoje for muito acima da sua pensão, vale verificar com mais cuidado se existe defasagem.

Compare o padrão de vários servidores do mesmo cargo: nunca o valor de uma pessoa só.

Cuidado: nem todo órgão aparece aqui

A consulta cobre o Poder Executivo do Estado: Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Fazenda (SEFAZ), Educação (SEEDUC), Saúde, além de autarquias, fundações e empresas do Estado. Se o falecido era desses quadros, o cargo aparece. Só ficam disponíveis os últimos meses (o mês vigente e os onze anteriores), então comece pelo mais recente.

Mas alguns órgãos têm folha própria e não entram nesta consulta: o Tribunal de Justiça (Judiciário), o Ministério Público, a Assembleia Legislativa (ALERJ) e a Defensoria Pública. Se a sua pensão vem de um desses, este atalho não vai mostrar o cargo: o caminho é pedir o DAP direto ao órgão de origem, que é, aliás, a via oficial para qualquer caso. Veja, por exemplo, o caso do Tribunal de Justiça e o guia geral de onde pedir o DAP.

Segurança: o que nunca vão te pedir

O portal oficial termina em rj.gov.br, e você deve digitá-lo você mesmo no navegador: nunca clicar em link recebido por WhatsApp, SMS ou e-mail. A consulta é pública, de acesso livre e não pede senha: qualquer página que exija login ou "taxa para liberar" a remuneração é golpe.

E lembre: como a folha do Estado é pública, um estranho saber o valor da sua pensão (ou do cargo) não prova que ele fale em nome do órgão. Na dúvida, não passe dados, encerre o contato e procure os canais oficiais ou alguém de confiança.

Ver um valor na tela pública não autoriza ninguém a ligar pedindo senha em nome do órgão.

Não é do computador? Sem problema

Se a internet não é o seu forte, chame um filho, um neto ou alguém de confiança para abrir o endereço e fazer a consulta junto: leva poucos minutos, e conferir não cria qualquer problema com o órgão nem muda o valor que você recebe.

E há um caminho que dispensa a internet por completo: o pedido do DAP, protocolado no órgão de origem. Ele é o documento oficial e serve para qualquer pensão, inclusive as que não aparecem na consulta pública. Se algo chamar a sua atenção, dá para tirar a dúvida sem compromisso: conversar não é contratar, é só entender a sua situação.

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

A consulta é paga?

Não. É de acesso livre, sem cadastro e sem senha, e não custa nada. Qualquer cobrança ou "taxa" para consultar ou "liberar" a remuneração é sinal de golpe.

Preciso do nome ou do CPF do falecido?

Não. A busca é pelo cargo, entre servidores da ativa: você escolhe o órgão e o cargo. O falecido não está mais na folha da ativa, então não é ele que você procura, e sim quem ocupa hoje o mesmo cargo.

Achei um valor bem maior que a minha pensão. Já ganhei a revisão?

Não. É um indício, não uma conclusão. A remuneração da ativa embute parcelas que podem não passar para a pensão, e a régua oficial é o DAP. O número serve para decidir se vale conferir; ninguém sério promete resultado a partir dele.

O órgão do meu falecido não aparece na lista de órgãos.

Provavelmente é Tribunal de Justiça, Ministério Público, Assembleia Legislativa (ALERJ) ou Defensoria Pública, que têm folha própria e ficam fora desta consulta. Nesses casos, o caminho é pedir o DAP diretamente ao órgão de origem.

Funciona no celular?

Sim, funciona no navegador do celular, sem instalar aplicativo nenhum. Se alguém insistir para você baixar um app fora da loja oficial para "ver a remuneração", desconfie.

Por que eu consigo ver o salário de outras pessoas?

Porque a lei manda: pagamento feito com dinheiro público é informação pública (transparência ativa). O lado bom é poder conferir e comparar; o cuidado é lembrar que isso vale para os dois lados: saber o seu valor não torna ninguém confiável.

Ver todos os artigos

Ficou com alguma dúvida?

Chame no WhatsApp. Você conversa com o escritório, e o Dr. Caio acompanha cada caso pessoalmente.

Falar no WhatsApp

Conversa protegida pelo sigilo profissional do advogado. Conversar não é contratar: nada é feito sem a sua autorização.

Falar no WhatsApp