A Justiça do Rio determinou, em 23 de julho de 2026, o bloqueio de até R$ 135.151.313,54 em ativos financeiros no processo que discute o investimento do Rioprevidência no fundo Texas I FIA, ligado ao Grupo Master. A decisão é uma medida cautelar: busca preservar patrimônio enquanto a ação continua.
Dois dias depois, em decisão divulgada em 25 de julho, veio a segunda cautelar: bloqueio de bens da gestora do fundo Revolution e de dois de seus diretores até R$ 481,5 milhões, auditoria externa independente e proibição de qualquer medida que dificulte ou retarde o resgate solicitado pelo Rioprevidência, previsto para 17 de agosto de 2026.
O bloqueio não significa que o dinheiro já voltou aos cofres públicos. Também não altera, por si só, o valor da aposentadoria ou da pensão de quem recebe do Rioprevidência. Este texto organiza os valores, as etapas do processo e o que já está confirmado. A página será atualizada quando houver um fato novo relevante, e as demais atualizações que o site acompanha ficam na seção de notícias do Rioprevidência.
Atualização de setembro de 2026: o caso deixou de ser apenas os dois bloqueios cautelares de julho. A Polícia Federal aprofundou a investigação sobre a exposição total do Rioprevidência ao Banco Master, estimada em cerca de R$ 3 bilhões, e o Estado começou a vender imóveis para reforçar o caixa do fundo. Esta página reúne, em ordem, o que já está confirmado e o que ainda é apuração.
O que a Justiça decidiu em 23 de julho
Segundo as reportagens do g1 e de O Globo, a 5ª Vara da Fazenda Pública da Capital acolheu o pedido de bloqueio feito pelo Estado do Rio e pelo Rioprevidência, representados pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE-RJ). A ordem alcança o Banco Master e outros réus ligados à administração e à gestão do Texas I FIA, até o limite de R$ 135.151.313,54. A Agência Brasil detalhou os alvos do bloqueio de contas: o Banco Master, a Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, a Axor Asset e duas pessoas físicas citadas na ação.
O Rioprevidência aplicou R$ 150 milhões no Texas I FIA entre julho e agosto de 2025. Na ação, a PGE informou que as cotas valiam cerca de R$ 14,85 milhões. A diferença entre o valor aplicado e o saldo indicado explica o limite aproximado de R$ 135,15 milhões pedido para o bloqueio.
A PGE sustenta que o fundo concentrou a maior parte de sua carteira em ações da Ambipar e questiona a forma como o investimento foi administrado. Essas são alegações da parte autora. Os réus podem apresentar defesa, pedir a revisão da medida e discutir os fatos ao longo do processo.
Bloqueio cautelar preserva bens para uma possível recuperação futura. Não é pagamento, sentença final nem prova definitiva de responsabilidade.
A segunda decisão: fundo Revolution e o bloqueio de até R$ 481,5 milhões
Na sequência veio a segunda decisão favorável ao Estado e ao Rioprevidência, divulgada em 25 de julho: a juíza Aline Massoni, da 10ª Vara da Fazenda Pública da Capital, deferiu medidas cautelares ligadas ao fundo Revolution, no qual o Rioprevidência aplicou R$ 481,5 milhões a partir de maio de 2025. O fundo é administrado pela Master Corretora, hoje em liquidação extrajudicial, com gestão da Acura Gestora de Recursos.
A decisão determina o bloqueio cautelar de bens da gestora e de dois de seus diretores até o limite do valor investido, alcançando contas, aplicações financeiras, imóveis, participações societárias, veículos, embarcações, aeronaves, marcas registradas, previdência privada aberta, títulos de capitalização e ativos digitais como criptomoedas. Determina ainda auditoria externa independente sobre a situação patrimonial do fundo, com prazo de 15 dias, e proíbe qualquer medida destinada a dificultar ou retardar o resgate solicitado pelo Rioprevidência, previsto para 17 de agosto de 2026.
Valem as mesmas ressalvas da primeira decisão: é medida cautelar, tomada a partir das alegações da parte autora. Os réus podem apresentar defesa e pedir revisão. O pagamento do resgate só se confirma na data marcada, e a recuperação efetiva depende das próximas etapas do processo.
Somadas, as duas cautelares de julho buscam preservar até R$ 616,6 milhões: R$ 135,15 milhões no caso Texas I e R$ 481,5 milhões no caso Revolution.
O fundo Revolution alega falta de caixa
Em 29 de agosto de 2026, a coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, revelou que o fundo Revolution, que recebeu os R$ 481,5 milhões do Rioprevidência, deixou de pagar R$ 14,8 milhões em taxas devidas à própria gestora, a Acura, entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, acumulando seis meses de inadimplência. Segundo a coluna, o fundo alegou falta de caixa para honrar os compromissos, e a gestora ajuizou ação de cobrança. Em juízo, a Acura afirmou estar em situação de incapacidade econômica momentânea e de insuficiência de liquidez.
Ainda segundo a coluna, que teve acesso ao regulamento do fundo, as parcelas mensais da taxa variavam de R$ 1,6 milhão a R$ 2,7 milhões, e a remuneração prevista para os ativos de crédito chegava a 180% do CDI. A colunista informa que não conseguiu localizar a gestora para posicionamento. A reportagem não cita número de processo, vara nem decisão nova sobre a cobrança dessas taxas, e o detalhe do estágio processual aguarda confirmação nos autos.
Para quem recebe do Rioprevidência, a informação importa como termômetro, não como mudança de regra. Um fundo que declara não ter caixa nem para a taxa da própria gestora reforça a dúvida sobre a capacidade de devolver o valor aplicado, e é exatamente esse o risco que as cautelares de julho tentaram conter, com bloqueio de bens e auditoria independente. Nada disso altera o cálculo ou o pagamento individual de aposentadoria ou pensão, e não há confirmação pública, até esta atualização, de que o resgate previsto para 17 de agosto tenha sido pago. O que houver sobre isso deve ser conferido nos autos e nos comunicados oficiais.
Alegação de falta de caixa é sinal de risco para a recuperação do dinheiro público, não uma mudança no benefício de quem recebe do Rioprevidência.
Bloqueio não é dinheiro recuperado
Uma decisão cautelar tenta evitar que o patrimônio desapareça antes do julgamento. Se o bloqueio encontra valores, eles ficam indisponíveis nos limites definidos pelo Juízo. O dinheiro não passa automaticamente para o Rioprevidência e a discussão ainda pode gerar recursos.
A recuperação efetiva depende das próximas etapas: localização dos ativos, contraditório, análise das defesas e decisão sobre a responsabilidade de cada réu. Por isso, dizer que “R$ 135 milhões foram recuperados” seria prematuro. O fato confirmado nesta etapa é a ordem de bloqueio.
A investigação da Polícia Federal e o tamanho real da exposição
Ao longo de 2026, a Polícia Federal aprofundou a apuração sobre os aportes do Rioprevidência no Banco Master, na operação Compliance Zero. Segundo a imprensa que noticiou a investigação, ela alcança sete institutos de previdência de seis estados (Rio de Janeiro, Amapá, Alagoas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco), e o Rioprevidência é o de maior valor aplicado.
Os números variam conforme a fonte, porque tratam de recortes diferentes da mesma exposição: cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras entre outubro de 2023 e julho de 2024, mais aportes por meio de fundos de investimento a partir de julho de 2024. No total, as estimativas apuradas vão de cerca de R$ 3 bilhões a R$ 3,7 bilhões. Segundo a apuração, boa parte foi aplicada em papéis sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), ou seja, de risco mais alto, em troca da promessa de retorno acima da média do mercado.
A apuração também examina a proximidade entre o ex-governador Cláudio Castro e o controlador do Banco Master e a cronologia das nomeações na cúpula do fundo. São elementos de investigação: os fatos ainda serão apurados e julgados, os investigados podem se defender e vale a presunção de inocência.
A exposição do Rioprevidência ao Master é muito maior do que os dois bloqueios de julho: a investigação trata de bilhões de reais, não apenas dos R$ 616,6 milhões das cautelares.
O fundo Arena: R$ 1,37 bilhão que rendeu menos que a poupança
Entre os aportes investigados está o fundo Arena, no qual o Rioprevidência aplicou R$ 1,37 bilhão em dezesseis aportes. Segundo documentos da Polícia Federal e do TCE-RJ noticiados pela imprensa, o fundo entrou em operação em 18 de dezembro de 2024, recebeu o primeiro aporte de R$ 50 milhões no dia seguinte e teve o Rioprevidência como único cotista.
O ponto que mais chama atenção é o desempenho. Entre dezembro de 2024 e agosto de 2025 o fundo rendeu cerca de 4,05%, abaixo da poupança no mesmo período (cerca de 5,47%) e muito abaixo do CDI (cerca de 9,31%). Ou seja, um investimento de risco mais alto rendeu menos do que a aplicação mais conservadora disponível, algo que o próprio Tribunal de Contas apontou como muito abaixo do esperado.
Rendimento abaixo da poupança em um fundo de risco mais alto é o oposto do que se esperava. É por isso que a apuração trata os aportes como suspeitos, e não como má sorte de mercado.
O Estado começa a vender imóveis para reforçar o caixa
Em 15 de setembro de 2026, o Rioprevidência levou a leilão um terreno de 11,3 mil metros quadrados na Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, arrematado pelo Clube dos Caiçaras pelo lance de R$ 23,3 milhões. Segundo a imprensa, a venda integra um plano de desinvestimento da carteira imobiliária da autarquia, com o objetivo declarado de reforçar o caixa do fundo diante das perdas com o Banco Master.
Para quem recebe do Rioprevidência, o recado é o mesmo que este texto repete desde o começo: a venda de imóvel é medida de gestão do patrimônio do fundo, não recálculo nem desconto de benefício. Ninguém precisa fazer cadastro, pagar taxa ou entregar senha por causa disso.
Vender imóvel para recompor caixa mostra o tamanho do problema, mas não altera o cálculo nem o pagamento de aposentadorias e pensões.
Por que os valores vão de R$ 135 milhões a bilhões de reais
As notícias do caso usam números diferentes porque tratam de operações e medidas distintas. Eles não devem ser somados como se fossem um único prejuízo.
| Valor citado | Ao que se refere |
|---|---|
| R$ 135,15 milhões | Limite do bloqueio ligado à perda apontada no Texas I FIA. |
| R$ 481,5 milhões | Limite do bloqueio ligado ao fundo Revolution, igual ao valor investido a partir de maio de 2025. |
| R$ 616,6 milhões | Soma dos valores buscados nas cautelares envolvendo Texas I FIA e Revolution. |
| R$ 641,4 milhões | Perdas totais que a PGE disse apurar nas três ações ajuizadas em julho de 2026. |
| Cerca de R$ 970 milhões | Letras financeiras do Banco Master tratadas em outra frente do caso e em investigações anteriores. |
| Cerca de R$ 3 bilhões | Exposição total do Rioprevidência ao Banco Master (letras financeiras mais fundos) apurada na investigação da Polícia Federal. As estimativas variam de cerca de R$ 3 bilhões a R$ 3,7 bilhões conforme a fonte e o recorte de datas. |
Em 16 de julho, a PGE ajuizou três ações relacionadas aos fundos Texas I FIA e Revolution. Uma semana depois, veio a notícia do bloqueio referente ao Texas I; na sequência, a das medidas do Revolution. O caso envolve processos e produtos financeiros diferentes, o que exige cuidado com manchetes que resumem tudo como um único “rombo”.
Linha do tempo essencial
| Data | Fato |
|---|---|
| Julho e agosto de 2025 | O Rioprevidência aplica R$ 150 milhões no Texas I FIA, segundo os documentos citados na ação. |
| 8 de outubro de 2025 | O TCE-RJ registra preocupações com a concentração e com os controles dos investimentos em decisão plenária. |
| 16 de julho de 2026 | A PGE-RJ ajuíza três ações relacionadas aos fundos Texas I FIA e Revolution. |
| 23 de julho de 2026 | A Justiça determina o bloqueio de até R$ 135.151.313,54 no processo do Texas I FIA. |
| 25 de julho de 2026 | Divulgada a segunda decisão: bloqueio de até R$ 481,5 milhões ligado ao fundo Revolution, auditoria independente e proteção do resgate previsto para 17 de agosto. |
| 29 de agosto de 2026 | O Metrópoles revela que o fundo Revolution alegou falta de caixa e acumulou R$ 14,8 milhões em taxas não pagas à gestora entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026. |
| Setembro de 2026 | A Polícia Federal aprofunda a operação Compliance Zero e mira sete institutos de previdência de seis estados; o Rioprevidência é o de maior valor aplicado. |
| 15 de setembro de 2026 | O Rioprevidência leiloa por R$ 23,3 milhões um terreno na Ilha dos Caiçaras, dentro do plano de desinvestimento imobiliário para reforçar o caixa. |
| Setembro de 2026 | Documentos da PF e do TCE-RJ detalham o fundo Arena: R$ 1,37 bilhão aplicado, criado em 18/12/2024, com rendimento abaixo da poupança entre dezembro de 2024 e agosto de 2025. |
O que muda para aposentados e pensionistas
A decisão não recalcula benefícios, não cria desconto e não exige pedido individual do aposentado ou pensionista. O processo discute patrimônio do fundo e a eventual responsabilidade de empresas e gestores. Ele não é uma ação de revisão de pensão.
Também não nasce, só por causa do bloqueio, um valor individual a receber. Se houver recuperação de recursos, o patrimônio retorna ao ente público conforme o que a Justiça decidir. Não existe nesta etapa uma divisão direta entre beneficiários.
O caso importa porque o Rioprevidência administra recursos destinados ao regime próprio dos servidores estaduais. A fiscalização, a transparência e a tentativa de recompor perdas são relevantes para a segurança do sistema. A consequência prática imediata, porém, é institucional, não uma alteração no contracheque.
Nenhum beneficiário precisa pagar taxa, entregar senha ou preencher formulário para participar desse bloqueio.
Como acompanhar sem cair em desinformação ou golpe
Confira a data e o objeto de cada notícia. “Pedido de bloqueio”, “bloqueio determinado” e “dinheiro recuperado” são etapas diferentes. Veja também qual fundo ou aplicação está sendo discutido antes de comparar valores.
Prefira documentos do TCE-RJ, decisões públicas do Judiciário, comunicados da PGE e informações oficiais do Rioprevidência. Reportagens ajudam a localizar o fato, mas a confirmação jurídica deve voltar ao documento primário.
Desconfie de mensagem que use o caso Master para prometer indenização, liberação de dinheiro ou revisão automática da pensão. O bloqueio noticiado não exige cadastro de beneficiário. O Rioprevidência e um advogado sério nunca precisam da senha bancária ou do código recebido por SMS.
Histórico de atualizações desta página
- 23/07/2026: publicação inicial após a decisão de bloqueio de até R$ 135.151.313,54.
- 27/07/2026: adicionada a segunda decisão (fundo Revolution): bloqueio de até R$ 481,5 milhões, auditoria independente e resgate de 17 de agosto protegido; detalhados os alvos do bloqueio de contas do Texas I.
- 30/08/2026: adicionada a informação, revelada pelo Metrópoles, de que o fundo Revolution alegou falta de caixa e acumulou R$ 14,8 milhões em taxas não pagas à gestora entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026.
- 21/09/2026: acrescentada a evolução de setembro: a investigação da PF (operação Compliance Zero, sete institutos de seis estados) e a exposição total estimada em cerca de R$ 3 bilhões; o fundo Arena (R$ 1,37 bilhão, rendimento abaixo da poupança); e a venda, por R$ 23,3 milhões, do terreno na Ilha dos Caiçaras para reforçar o caixa.
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